O designer trabalha para quem? Para o cliente ou para o consumidor?

O designer trabalha para quem? Para o cliente ou para o consumidor?

O designer trabalha para quem ? Para o cliente ou para o consumidor final ?

Ora aqui está uma questão que provoca muita discussão. Para quem deve o designer trabalhar.

Há uns anos pediram-me umas maquetes para um cliente que ía lançar um produto novo no mercado português. Mais uma “directa”, para fazer 3 peças que iriam servir como concepts para produção futura. Fiz um anúncio de imprensa, um outdoor 4×3 e um flyer. O logo era vermelho e amarelo, e o cliente apenas alterou o nome e manteve a imagem original.

No dia a seguir à “directa”, reunião com o cliente para apresentação.

Parabéns dados, tínhamos feito maravilhas numa noite e tal … ele apenas não gostava da cor vermelha.

“- Mas sabe porque usámos tanto vermelho? – perguntei.”
“- Porque o logo é vermelho e se estamos a lançar um produto novo no mercado convém criar alguma notoriedade à marca. E uma das componentes importantes é a cor.”

“- Sim está bem, mas eu sou do Sporting e não gosto de vermelho.”

Eu também sou do Sporting, para mal dos meus pecados, mas nunca me passou pela cabeça fazer as peças da campanha com verde. Nada o justificava. Com vermelho sim, por razões óbvias.

Agora a pergunta é esta: devemos fazer as propostas para o consumidor ou para o cliente ? Devemos fazer a proposta verde para agradar ao cliente, ou a vermelho para atingir o consumidor.

Há dias a navegar pelo Facebook encontrei este post num site de freelancers:

“Ser designer gráfico não é fazer o que o cliente quer, é fazer o que ele precisa”

Nesta óptica, devemos trabalhar para o consumidor. Devemos fazer o que pensamos ser o mais correcto para chegar ao consumidor. Se conseguirmos isso, o nosso cliente também ganha. Mesmo que ele não perceba que estamos a tentar fazer o melhor possível para lhe trazer lucro e benefícios a médio prazo.

Há dias estava a fazer uma campanha, e para uma das peças fiz 14 maquetes diferentes. Tira daqui, põe dali, desce um pouco, agora sobe … e tudo para no fim conseguir convencer o cliente que aquilo que ele queria não era o mais indicado e que a nossa proposta era a mais correcta. Se ganhei a batalha ? 50/50 o que já não foi mau.

Porque em último caso, quem nos põe o pão na mesa é o cliente, mas quem lhe põe o pão a ele é o consumidor final. Como profissionais temos que tentar levar a nossa avante se pensamos estar certos. Comunicamos para o consumidor final, não para o cliente. Mas não nos podemos nunca esquecer de quem é que nos paga. Diria que temos que gerir e trabalhar para os dois. O que você acha ?

ricardosalesgomes

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